Juliana, a assistente da Cooperativa Liberté, funciona desde 2020. Agora soma um serviço novo —a Orientação Jurídica— e, antes de abri-lo, nesta primeira etapa, para toda a população carcerária da Argentina, vai testá-lo uma equipe de pessoas que sabem de verdade se funciona.
A equipe se chama Equipe Humana da Área de Orientação Jurídica de Juliana. É integrada por pessoas em situação de cárcere, pessoas liberadas e familiares diretos. A ideia é simples: ninguém testa melhor se uma ferramenta funciona do que quem precisa dela.
Quem lidera a equipe
A lidera o Coletivo de Detidos/as —coordenado por Claudio Lugo— junto à Cooperativa Liberté. O Coletivo é uma rede de ajuda mútua de pessoas em situação de cárcere, seus familiares, pessoas liberadas, companheiros e companheiras de direitos humanos e organizações. Que uma ferramenta pensada para a população carcerária seja conduzida por quem conhece a prisão por dentro não é um detalhe: é a condição para que funcione.
O que é a Orientação Jurídica de Juliana
É um serviço que orienta, não assessora. Juliana pode explicar trâmites, direitos e caminhos possíveis, mas a palavra final é sempre do defensor ou da defensora oficial, ou do seu advogado ou advogada particular: a esse acompanhamento profissional ela encaminha em cada consulta. A orientação abre a porta; o patrocínio jurídico é feito por quem corresponde.
Quem pode participar
Buscamos três grupos: pessoas em situação de cárcere, pessoas que já recuperaram sua liberdade, e familiares diretos. A experiência vivida não é um requisito a superar: é o valor. Quem passou por uma unidade penal, uma defensoria ou um juízo de execução sabe quais perguntas aparecem de verdade e onde a informação falha.
O que vão testar e contribuir
A equipe confere dados: telefones e e-mails de defensorias, patronatos de liberados, juízos de execução e unidades penais, para confirmar que estejam corretos e vigentes. Contribui com os contatos reais que Juliana ainda não tem. Testa o calculador orientativo de institutos, os escritos por direito próprio e a entrega de certificados e trajetória formativa por documento. E traz o mais difícil de conseguir: as perguntas que a população realmente faz, no seu próprio idioma e com seu próprio tom. Cada devolutiva —o joinha com comentário incluído— fica registrada para melhorar as respostas.
Como participar
É pela própria Juliana: escreva para ela «quero me juntar à Equipe de Orientação Jurídica de Juliana» e ela faz o cadastro. Pede um apelido, seu vínculo, um e-mail (para recuperar a senha) e quem te convidou, e entrega uma senha para entrar sempre. O ingresso é por convite do Coletivo de Detidos/as: peça a Claudio Lugo, ou a alguém do Coletivo, que te convide e ele vai te dizer o que colocar.
O que oferecemos
Quem participar recebe um certificado de participação assinado pela Liberté, além de sua declaração e sua trajetória formativa. O reconhecimento é público: seus integrantes figuram como co-construtores e co-construtoras do serviço na nota de lançamento. E há formação ao longo do caminho, sobre os próprios direitos e sobre como se testa uma ferramenta.
Os dados estão protegidos
Nada do que for contribuído entra direto na base. Cada contato e cada dado passa por uma fila de revisão: um editor ou uma editora verifica antes que Juliana use. O cadastro pede consentimento, solicita os dados mínimos e os casos reais são trabalhados de forma anonimizada. A regra fundamental não muda: isso é orientação, não assessoria, e o defensor ou a defensora oficial —ou o seu advogado ou advogada particular— sempre está em primeiro lugar.
Seu olhar é o que falta
À medida que essa equipe teste e vá dando o visto-bom, o serviço de Orientação Jurídica irá se abrindo para o restante da população carcerária e para toda a comunidade. Se você está ou esteve em situação de cárcere, ou é familiar direto, participe: peça ao Coletivo de Detidos/as que te convide e escreva para Juliana «quero me juntar à Equipe de Orientação Jurídica de Juliana».