Estão abertas as inscrições para a quinta turma da Diplomatura Internacional Construyendo Seguridad Ciudadana, um programa de extensão universitária da Facultad de Trabajo Social y Ciencias de la Salud de la Universidad Nacional de Mar del Plata, com coordenação geral da Universidad Liberté. É uma formação virtual e 100% subsidiada pelo apoio comunitário. O curso se desenvolverá entre 27 de junho e 5 de dezembro de 2026, com 108 horas-relógio distribuídas em sete encontros sincrônicos mensais e atividades práticas semanais assíncronas. As vagas são 1.000 estudantes, com possibilidade de ampliação conforme a demanda.
Uma proposta para repensar a segurança a partir da dignidade
A diplomatura propõe uma virada de paradigma: pensar a segurança cidadã não a partir do castigo, mas a partir da justiça restaurativa, da perspectiva de gênero, da ética do cuidado e dos direitos humanos. É uma aposta concreta de discutir, com ferramentas teóricas e experiências práticas, o que entendemos por segurança e quais políticas podem construí-la sem aprofundar as desigualdades.
"Uma formação crítica e transformadora sobre justiça restaurativa, execução da pena, perspectiva de gênero e cuidado coletivo. Pensada para construir uma segurança baseada na dignidade, não no castigo", sintetiza o programa oficial da diplomatura.
Uma pioneira do direito à educação por trás dos muros
A diplomatura nasceu em 2021 com uma particularidade sem precedentes no mundo de língua hispânica: foi coordenada integralmente de dentro de uma unidade penal de máxima segurança e moderada 100% por pessoas em situação de cárcere. A primeira edição demonstrou que a educação universitária de qualidade pode se sustentar por trás dos muros, com curadoria acadêmica rigorosa e participação internacional.
Desde então, passou por quatro turmas com milhares de inscritos de 25 países da América Latina e da Europa, vindos de contextos muito diversos: estudantes de direito, juízes, advogados, pessoas em situação de cárcere e egressas, docentes, assistentes sociais, jornalistas e público geral. Em 2026, abre sua quinta edição.
Grade curricular: seis eixos temáticos
A grade se organiza em torno de seis eixos que atravessam os problemas centrais do sistema penal contemporâneo. Dois deles — Justiça Restaurativa e Gênero — são trabalhados também de forma transversal ao longo de todo o curso:
- Justiça Restaurativa (transversal): um caminho diferente do castigo, que busca reparar o dano e reconstruir laços. Diálogo, reconhecimento, responsabilidade e cuidado de quem sofreu.
- Gênero (transversal): olhar de frente as desigualdades de gênero dentro e fora da prisão. Políticas de segurança cidadã com perspectiva de gênero que coloquem o foco no cuidado de mulheres e pessoas LGBTIQ+.
- Saúde Mental e Família: o encarceramento devasta a subjetividade e com isso desfaz os vínculos familiares, parcerias afetivas, filhos, amizades. Saúde mental como direito fundamental.
- Trabalho e Autogestão: o trabalho no encarceramento não deve ser castigo nem exploração. Autogestão cooperativa, economia popular, soberania alimentar.
- Educação: a educação na prisão não é prêmio nem saída momentânea: é um direito, um compromisso consigo mesmo, uma janela para o mundo.
- Execução da Pena: revisar como as penas são cumpridas a partir de uma perspectiva de direitos humanos. Alternativas que não rompam vínculos nem aprofundem a exclusão.
Corpo docente internacional
A diplomatura conta com 29 docentes provenientes da Argentina, Peru, Espanha, Colômbia e Equador. Entre as figuras de destaque está Raúl Eugenio Zaffaroni, ex-juiz da Corte Suprema de Justicia de la Nación e referência do direito penal latino-americano. A coordenação geral está a cargo do Lic. Ricardo Augman e da Dra. Diana Esther Márquez.
Aberta a toda a comunidade
A proposta não exige estudos anteriores e é dirigida a pessoas em situação de cárcere e egressas, vítimas de crimes, famílias e comunidades afetadas, agentes penitenciários, profissionais do direito, da saúde mental, do serviço social e da criminologia, além de docentes, estudantes e público geral interessado em repensar a segurança cidadã.
A metodologia combina encontros sincrônicos pelo Zoom com um Campus Virtual, o canal do YouTube e a Radio Liberté (online e FM). Para quem está em unidades penitenciárias da província de Buenos Aires onde a Universidad Liberté tem presença, os encontros também chegam pelo rádio FM e pelos Centros de Estudiantes Universitarios — uma forma concreta de garantir o direito à educação por trás dos muros.
Apoios e articulações
A diplomatura conta com o respaldo de uma rede latino-americana e europeia de doze organizações: a Federación Argentina de Cooperativas de Crédito (FACC), Víctimas por la Paz, a Asociación Argentina de la Justicia de Ejecución Penal (AAJEP), a Corporación Activos por los Derechos Humanos, o Semillero de Penitenciario y DDHH de la Universidad de Antioquia, Famílies de Presos a Catalunya, o Observatorio del Sistema Penal y Derechos Humanos (OSPDH) da Universidad de Barcelona, a Sociedad Argentina de Justicia Restaurativa, a Federación de Cooperativas de Trabajo de la República Argentina, a Academia Latinoamericana de Derecho Penal y Penitenciario (ALDP) e o Instituto Brasileiro de Direitos Humanos (IBDH).
Como se inscrever
As inscrições já estão abertas e são realizadas pelo formulário disponível na página oficial do programa. As dúvidas podem ser enviadas por e-mail para formacion@universidadliberte.org e pelo WhatsApp no +54 9 223 678-9264.
Quem completar 75% dos encontros e entregar as atividades práticas recebe um Diploma de Extensão Universitária emitido pela Universidad Nacional de Mar del Plata, por meio da Secretaria de Extensão da Facultad de Trabajo Social y Ciencias de la Salud (Resolução RS 103-33/24).
Todas as informações detalhadas sobre o curso, a grade curricular e o corpo docente estão disponíveis na ficha da diplomatura.